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Diário do Quintal – Pequenos Naturalistas

Nos fundos da casa que habita o Tear, é guardado um espaço de cultivo de si e da terra, onde o encantamento da brincadeira faz brotar universos.

 

 

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Pequenos Naturalistas 

12/11/2015

Assim que os portos se abriram
Muita gente veio ver
O que nessa terra plantavam
E o que faziam pra viver
Água, índio, bicho, planta
Vida que não acaba mais
Do Rio a Pernambuco
De lá para as Geraes

Viajantes naturalistas
Observavam rochas, conchas, flores
Anotavam e pintavam
Nossos costumes e sabores

Românticos da natureza
A poesia lhes servia
De inspiração e beleza
Para contarem tudo que viam.

“enfeitiçados no meio da pujante natureza estranha. […] O aspecto majestoso, a doce tranquilidade e a paz dessas matas, só interrompidas pelo sussurro das asas dos colibris matizados, que voam de flor em flor e pelo canto mavioso de passarinhos estranhos e insetos […].”

Trecho de “Viagem pelo Brasil”, SPIX E MARTIUS. (1817-1820). São Paulo: Melhoramentos, 1980.

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O saber que se adquire no contato com a natureza tem um valor inestimável. É nesse contato que criança e natureza se misturam, criando laços de afeto e intimidade com o meio.

A criança empresta uma alma às coisas, chega até a castigar algum objeto que tenha lhe magoado. O naturalismo dos pequenos é natural, sem fobias. Faz parte de seu ser/estar/pertencer ao mundo.

O olhar poético sobre a natureza nutria muitos naturalistas, que admirados, contavam entusiasmados nossas matas, bichos e nossa gente. A criança nos mostra isso. Contam admirados, os fenômenos da imaginação da terra.

No Tear, a turma de Artes Integradas da manhã registra suas observações no Diário do Naturalista. As expedições científicas que vieram ao Rio de Janeiro, por exemplo, contam muito sobre nossa cidade. O quintal serve como lugar de descobrimentos, de relatos, de histórias e curiosidades. A criança esmiúça o jardim, entra nele, faz parte dele e nada escapa ao seu olhar delicado e atento. O naturalista, a criança. A cidade e o jardim.

Uma homenagem aos viajantes naturalistas, estrangeiros e brasileiros que registraram com riqueza de detalhes a nossa terra, Uma homenagem a nossa cidade, tão procurada por sua beleza inigualável. Um Rio de mares, de lagoas e rios, de matas e montanhas. Um Rio de encantos e desencantos. Um Rio de histórias.

O Jardineiro Beldroega