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As cores quentes do Sudão

Fotografias capturam na África momentos de rara beleza na relação homem natura

A nossa longa herança colonial faz com que, via de regra, tenhamos uma visão sobre o mundo e sobre nós mesmos, pautada no ponto de vista que nossas instituições e meios de comunicação reproduzem: uma visão que poderíamos chamar de eurocêntrica, ou norte-cêntrica.

Assim, embora a história dos povos da Africa, por exemplo, estiver tão intimamente relacionada à nossa há já uns quinhentos anos, continuamos a olhar para a Africa com certo distanciamento e uma curiosidade que, por vezes, parece com a de um aventureiro francês do século XIX em busca do “exótico”.

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O problema desta herança é que ela limita nossa percepção sobre a nossa própria história, limitando a nossa capacidade aprender com outras culturas, não tão atravessadas pela chamada modernidade. Entretanto, e ainda bem, encontros sempre são possíveis. E no se ver, a possibilidade de se re-conhecer.

O trabalho das fotógrafas Carol Beckwith e Angela Fisher, com a sua vivência de mais de 30 anos junto a comunidades de vida tribal na Africa, nos ajudam a uma aproximação do olhar. Seu trabalho reconhecido e premiado, registra e – como todo registro relê – cerimônias, rituais e cotidiano desses povos, o que fez com que suas imagens refletissem uma longa e profunda relação de respeito com os costumes e as pessoas dessas tribos, especialmente a Dinkas, no Sudão.

Confira parte do incrível trabalho da dupla, em sua expedição pelos territórios da África:

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Young Dinka boys enjoy playing in the water after fishing. occasionally during the spearing of fish, monitor lizards or even pythons may be accidentally caught.

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Contemplar essas imagens sem conhecer de perto essas culturas, abre uma janela a universos de sentido outros, que nos complementam como humanos. Observando os traços, a beleza e toda a riqueza da cultura de um povo tão distante e tão próximo ao mesmo tempo, um povo que preza pelo costume de seus ancestrais como forma de olhar para o futuro, nos toca profundamente. Courtship begins for dinka men at 20 years old, and for girls at 17. a man, however, may not marry until he is 30 years old, as he must raise the sufficient number of cattle to pay the bride price.

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Carol Beckwith e Angela Fisher não são apenas fotógrafas, sua dedicação em preservar e semear a deslumbrante diversidade de cerimônias africanas, fizeram delas notáveis articuladoras da cultura  . Sua celebração das culturas ficará para sempre nos livros e catálogos que reúnem o esplendor da criatividade humana.
Nas suas próprias palavras

“Durante os 30 anos que passamos na África gravando cerimônias tradicionais, temos observado que a vida se baseia em um ciclo contínuo de dar e receber. Cada rito começa com um presente ou uma oferta: sobrevivência depende deste princípio básico.  Nós, também, temos olhado para as formas adequadas de retribuir o apoio que nos foi dado pelas comunidades em que moramos.”

Este aprendizado levou elas a criarem a Fundação African Ceremonies, voltada para o registro e preservação das tradições dessas comunidades e para o desenvolvimento de pequenos projetos locais, pautados na compreensão de pequenos projetos intimamente ligados às necessidades comunais e pessoais, na sua relação cotidiana com a terra, têm feito uma diferença significativa para o bem-estar das pessoas com as quais elas trabalhado.

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Remixado a partir de: http://www.hypeness.com.br/2014/02/fotos-extraordinarias-da-tribo-dinkas-no-sudao
Conheça mais sobre o trabalho da dupla no site: http://www.africanceremonies.com/

Link da página: http://institutotear.org.br/3355